Antes a gente quando queria dizer que uma coisa estava na moda bastava falar que tal coisa era” up to date”,mas hoje o chic é dizer” isso é new black.”
Então ter saudades é new black, quer dizer curtir saudades ainda é moda, graças a Deus.
Eu que sou do tempo que se colocava manteiga na água para conservar, porque ainda geladeira não existia, confesso que fico um tanto atordoada com tanto modernismo.
Lembro que houve época em que as mulheres usavam meia fina com risca e os homens colocavam no bolso de trás da calça o pente Flamengo e o lenço branco na lapela e pronto estava montado o look para ocasiões especiais.

Ah sim, naqueles tempos tudo tinha regras, por exemplo na escola, os alunos só podiam usar caneta a partir do segundo ano, os meninos usavam calça curta até mais ou menos onze anos e então daí pra frente podiam desfilar com as calças compridas e já se achavam os tais.
As meninas ficavam ansiosas para fazer quinze anos para usar saltinho número cinco nos sapatos e já se sentindo mocinhas, ousavam puxar uns fiozinhos de cabelo na testa cujo nome era “pega rapaz”e aí já começavam a sonhar com príncipe encantado.
Quando os namoros começavam já estava implícito pegar na mão ,só depois de um mês, passar o braço nos ombros da garota apenas era permitido quando o namoro já era sério.Poder beijar então ,ai meu Deus como demorava, só se o casal já fosse noivo.
Estão pensando que estou surfando na maionese?

Não! Pasmen só para te deixar estarrecido tenho que te contar que uma chamada telefônica para o Rio de Janeiro só se completava depois de seis horas de espera como a telefonista nos informava.
Quando um parente morria as mães e as viúvas se vestiam de preto e os homens também para demonstrar o luto usavam na lapela ou na manga da camisa uma fitinha preta, quando era o dia de Finados, se nós crianças déssemos risadas altas as mães nos repreendiam e a gente batia na boca em sinal de desculpas, as emissoras só tocavam músicas orquestradas e na verdade na maioria das casas nem se ligava o rádio.

Mexendo no fundo do baú me recordei agora que no tempo que a escola era risonha e franca ,nós alunos, ficávamos em fila para ver o hasteamento da Bandeira e cantávamos orgulhosos o Hino Nacional e isso acontecia todos os dias e nesse momento a garotada que já naquele tempo também era bem levada, por um momento se continha e exercitava aí o que depois de muito tempo ficamos sabendo que, isso fazia parte da cidadania.

Não posso esquecer de contar que não se comemorava ainda o Dia das Crianças, não era preciso, porque na verdade, os dias eram todos nossos e éramos assim, simplesmente felizes sem nem supor sequer o que significava felicidade.A gente ficava brincando nos quintais e tome “barra manteiga,”lenço atrás” e “amarelinha”Nos dias de chuva fazíamos barquinhos de papel, esperava a enxurrada ficar caudalosa, nos nossos devaneios ,nos tornávamos marujos e lá íamos desbravar mares nunca navegados.

Bem ,hoje me bateu uma certa melancolia e confesso que senti muita saudades de mim.

Mas voltando no aqui e agora, pra fazer de conta que sou insensível e não dou a mínima para coisas do passado ,vou escapar de mim mesma e entrarei no facebook e usando meu pó de piripimpim viro adulta de novo e vou exercer o meu “new black” de hoje e ao invés de tanta conversa para me comunicar, vou escrever apenas o que talvez signifique muita coisa, ou quem saiba não tenha o menor sentido e aí assim todo mundo vai me entender e pronto vou teclar,PARTIU e para deixar mais claro completo FUI!

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