Se eu pudesse, pediria desculpas para todos que eu magoei. Voltaria a andar pelos caminhos que eu havia prometido nunca mais passar. Teria colocado todos meus barquinhos no rio que a chuva formava ali na beira da minha calçada e assim imaginar que eu, somente eu, poderia domar qualquer correnteza. Choraria todas as vezes que senti vontade, ao invés de ter engolido as lágrimas para não parecer fraca. Pisaria descalça sem medo de ferir os pés,  quem sabe eu tivesse conhecido o que seria liberdade na forma verde e molhada de um gramado. Aquele filme que passou bem na hora da aula de matemática eu não deveria ter perdido por nada. Se eu soubesse o que sei agora, teria ousado sim e usado naquele primeiro encontro o batom que achei ser vermelho demais. Eu deveria ter aceitado mais uma ou duas fatias de bolo que me ofereceram e não peguei por estar de regime. Sabe o último capítulo da minha novela preferida que deixei de assistir para o baile onde eu nem dancei? Hoje eu não trocaria um prazer certo por um simples talvez, um quem sabe ou um sei lá. Sinto não ter dado importância e nem ter tido paciência para aprender com minha avó a língua italiana e com meu pai o esperanto. Fechei os olhos na primeira vez em que andei de roda-gigante e assim boba deixei de saber o que é ser quase um passarinho. Se eu soubesse o que eu ainda hoje não sei não teria deixado para depois o que podia ser agora e nem transformar em simples passado um futuro que não foi…

 

 

 

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