Intelectual pra mim para mim é quem leu autores mais inteligentes que eles, ao conversar usam as frases deles e fazem bonito para quem nunca leu nada, aliás o que mais tem é gente que nunca leu um livro na vida.

Eu, quando era criança,  conheci a irmã mais velha da minha amiga, que lia uma revista que se chamava Grande Hotel. Nossa,  ela sabia tudo sobre a vida dos artistas,  citava fatos por eles vividos com uma precisão como se fosse íntima deles e nós ingênuas,  que nada sabíamos além de brincar de boneca,achavamos  que ela era a mais inteligente das pessoas.

Ainda bem, que a gente vai crescendo e pouco a pouco , vai vendo coisas diferentes, vai tendo outros contatos, ouvindo estórias contadas pelos mais velhos, lendo livros infantis, até gibis, fotonovelas, quando já mais mocinha e tudo isso vai aumentando nossa curiosidade, vamos aos poucos nos interessando  por autores indicados pelos professores (sim naquele tempo eles faziam isso, pasmem ) daí pra frente a gente descobre, que quando os mais velhos diziam,  que os livros eram nossos melhores amigos, eles tinham razão.Muitos anos  depois ,  adulta e por força da profissão,fiz dia faculdades e ler era necessidade vital, mas o que me distraia era me encantar com os grandes romancistas, modernos e da antiguidade e meu universo se expandiu muito além dos quintais, onde eu vivi a felicidade de ser criança.

Naquela época não tinha televisão e a criançada se reunia depois da escola e ia para a rua, lá a gente brincava de tudo, amarelinha, pulava corda,ciranda, mãe da rua, estátua, de casinha e muito mais que a imaginação inventasse.

Tenho muita saudades até de quando a gente matava um besouro e depois colocava na caixinha de fósforo e fazia com pompa e circunstância o enterro dele, tudo nos conformes, até cruz a gente espetava no montinho de terra que era sua sepultura,  colocava flores por cima e a gente até rezava, acredita ?

Era um tempo de inocência e nunca nos conformamos,  por mais que a gente ficasse olhando para o céu para ver  alguma cegonha trazendo no bico um bebezinho, nunca tivemos a sorte de estar no lugar e na hora certa em que ela voava com a encomenda.

Eu, como sempre gostei muito de doce, lembro que tinha uma tal de mariola, parecida com maria-mole de hoje, mas não era sempre que a gente achava para comprar e o jeito era pegar uma fatia de pão e encher de acúcar, acredite era dos deuses.

Não era comum comer carne todo dia, mas a gente comia galinha degolada, eu tinha horror de ver essa parte, preferia comer sem me lembrar da cena, verdura não faltava pois em todas as casas havia horta e pomar e por isso a laranja espremida era o nosso refrigerante da época.

Quando meu pai resolveu me fazer engolir óleo de fígado de bacalhau e biotômico Fontoura, pois se preocupava em me ver crescer forte,  foi que  tive a felicidade de conhecer leite condensado, pois depois de engolir aqueles remédios horrorosos a compensação vinha com uma colherada de Leite Moça. O sofrimento valia a pena, juro . Com isso associei qualquer tristeza que  tivesse, decepção ou raiva, com a necessidade de fazer um furinho na lata do Leite Moça e tomar  todinha, não valia nada para aplacar qual sentimento  fosse e não solucionava nada, apenas me acrescentou quilos extras,  os quais tenho tentado  por todo tempo perder, sem grande sucesso.

Até hoje, porque a vida não é só um mar de rosas, e nos traz  tantas  preocupações e dificuldades,  me dou conta que o mar não está para peixe, não tem   jeito,  faço um furinho no leite moça e tenho a impressão que a água não é tão salgada assim, vou em frente nado até encontrar a terra firme,  que vai me fazer acreditar,  que tudo vai dar certo e lá vou, eu pois alguém já disse um dia , que navegar é preciso .
Lembrei agora,  que todas as manhãs eu era incumbida de ir até a  vendinha, que ficava próxima de casa,  para trazer um litro de leite. Criança tem mania de correr e eu nessa correria muitas vezes levei tombos , que fizeram a garrafa se despedaçar e o leite
 esparramar pela calçada.Eu já tinha ouvido a frase , que dizia que não se deve chorar pelo leite derramado, mas eu voltava pra casa chorando tanto, porque sabia , que nesse dia ninguém beberia leite.
Agora,  felicidade mesmo,  foi quando eu vi na vitrine da venda uma garrafinha de refrigerante, nem me lembro o nome, experimentei e me apaixonei, depois veio o guaranás crush,a cerejunha e o seven up e era geladinha.
Na nossa casa não tinha geladeira, demorou muito tempo para meu pai comprar e ainda lembro do nome dela era uma Kelvinator. Meu encantamento foi tanto,  que eu quis dormir na cozinha ao lado dela por uns dias, tal foi minha paixão por aquela coisa que gelava tudo que a gente colocava dentro. Está rindo de mim? Pode rir,  eu era bobinha mesmo, esse modernismo era demais para minha filosofia de cabecinha mais vazia que a da Emília do Monteiro Lobato.
Quando eu me tornei mais mocinha , eis que chega a televisão. Meu Deus o que era aquilo gente?
Daí para frente,  as crianças nunca mais foram as mesmas, penduraram as chuteiras, as Calois e Monarks,  ficaram encostadas, as bonecas guardadas no fundo dos guarda-roupas, os bambolês abandonados e  até as flâmulas que enfeitavam os quartos perderam  a graça. Os vizinhos não sentaram  com as cadeiras nas calçadas, `a noite nem os vagalumes e as estrelas ficavam ais iluminadas aos olhos de todos do que a telas ligadas. Da TV  Todos, dentro das salas assistiam o Repórter Esso,  e o Mappin Movientone e  em seguida as novelas.
Falar dos tempos de hoje nem preciso, todos sabem no que deu,  para o bem e para o mal essa coisa nova que se tornou a melhor decoração .
Quando saio `as ruas nas minhas caminhadas e ainda vejo no céu, uma pipa no ar,  me dá um nó na garganta e uma saudade tão grande, que só sabe o tamanho, quem já viveu tanto como eu.

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