A  idade avançada agora se  chama de melhor idade.

         Para mim que  já não sou  boba, este novo adjetivo não me engana, porque sei  que estou mesmo, é no final da caminhada.
         Mas talvez,  seja não a melhor idade, mas a certeza de ser o melhor tempo, explico porque.
         Não me incomoda mais o que os outros pensarão de mim, adquiri o direito de fazer qualquer coisa, até ser ridícula eu posso e que se dane, só não faço tatuagem, porque tenho medo de dor, tive dores demais pelo caminho e essa eu posso evitar.
         Uns vão achar que fiquei  até bonitinha com o cabelo azul e as unhas, cada uma de uma cor, outros vão olhar com pena e pensar que caduquei.
          Deixei agora de ter a pretensão de mudar as pessoas pois sei que cada uma vai seguir seu caminho,  sem que eu possa interferir nos acontecimentos, e nas suas escolhas. Meu tempo de dar conselhos já passou, meus valores estão totalmente fora de moda e agora meu modo de ver o mundo serve até de zombaria.
         Já precisei estar rodeada de amigos, hoje me basto, era convidada para festas, jantares, fui companheira de quem gostava de esportes radicais e de quem preferia fazer retiro no Carnaval.
         Aprendi nadar, fazer saltos ornamentais nos trapézios das piscinas, mergulhei sem medo no rio Tietê, andei de caiaque, venci ondas bem altas, quase me afoguei mas sobrevivi.
         No Carnaval fui Colombina e tive muitos pierrôs apaixonados. Fui fada, quando criança e até anjo de procissão,minha varinha de condão se quebrou faz tempo e minhas azinhas brancas só me iludiram que eu podia voar e me esborrachei em todas as vezes que  tentei voar mais alto que podia. Escolhi piratas,  que preferiram outros mares e deixei ir os que me prometeram terra firme, ao descobrir que me jogariam em  areia movediça.
         Aprendi tabuada, raiz quadrada, tirei muitos zeros mas consegui alguns cem, li muito na infância, na adolescência, e  muito mais quando me tornei mulher e hoje os livros são meus companheiros, que não reclamam, quando os deixo abandonados um tempo e depois retorno, eles não me fazem cobrança, me abrem as folhas e me abraçam nos papos de letrinhas como antes.
        Viajei viagens imaginárias, sonhei com muitas que não realizei e fiz mais do que um dia pensei que faria e ainda quero fazer outras tantas,  que estão na minha lista antes de morrer.
         Sei o que significa ninho vazio, chorei muito de saudades dos meus filhos,  que foram seguir suas carreiras e formar suas famílias.Senti felicidade genuína ao ver meus netos abrir os olhinhos para a vida ,que enfeitam hoje a minha.
         Aprendi o que é  ficar sem raízes,  quando perdi meus pais, meus amigos que já se foram deixaram boas recordações e muitas vezes me fazem rir ao lembrar das maluquices que fizemos, das nossas confissões e sinto falta do ombro amigo e do colo, que me deram nas vezes que eu fraquejei.
         Desejei ser cantora, nunca tive voz para isso, mas aprendi a fazer piruetas, equilibrar na corda bamba do circo que sempre armava lona ao lado da minha casa,  até contracenar no palco nos teatrinhos que eles encenavam no picadeiro. Fui aos comícios do Adhemar e do Jânio e coloquei uma fitinha preta na blusa da escola,  quando o Getúlio morreu.
         A profissão que mais desejei, foi ser aero-moça, na época tinha que ter altura e eu com 1,60 não fui aceita. Com dezoito anos fui ser telefonista da Companhia Telefônica Brasileira, lá na rua Sete de Abril,  adorava falar com todo Brasil e fazer chamadas internacionais,  já era boa no inglês. Adorei esse trabalho e só pedi a conta quando fui me  casar, aí é uma longa estória que um dia ainda vou contar.
        Hoje me perguntaram ao telefone, quantos anos eu tinha e eu respondi que estou prestes a não ter mais nenhum.A atendente que falou comigo riu, nem sei se entendeu.
        O que posso dizer a todas senhorinhas meninas como eu, que  agora estou vivendo a idade da paz,  pois me reconciliei com todas as coisas com as quais briguei e lutei a vida toda e já me conformei por estar a cada dia,  mais invisível neste mundo, de quem não tem mais tempo e nem interesse,  por quem branqueou todo o cabelo,  mas que,  ainda teima em ter todas as cores na alma.

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