Conhecemos na vida muitas pessoas.

Sem dúvida todos elas deixaram de uma forma, ou de outra, ensinamentos.

Há as que se demoraram pouco, porém, nos marcaram de um modo muito especial.

Por exemplo, com o Afonso, aprendi como é lindo o som do surdo e que não se faz samba sem ele.

Com o Alemão, como era bom ele chegar e dizer turma,” vai começar a ferveção.”

Com a Sonia, conheci uma das mais lindas vozes de mulher.

O Aroldo me mostrou o amor pelo futebol e a dedicação para ser um grande jogador

Com a Luiza vi como era linda a ternura com que ela falava da mãe.

Com o pai da Lurdes, vi a dedicação com que ele cuidava das inúmeras orquídeas e, com sua mãe, como eram deliciosas as tortas que ela me oferecia.

Com a Virgínia e a Edna como é possível, depois de tanto tempo ainda, nos revermos e sentir que a amizade continua.

Com os avôs das duas, aprendi a frase que gosto de repetir ainda hoje “Nem tanto ao céu nem tanto à terra”.

Com o Antônio Marcos, esse cantor e compositor amado, tive o prazer de estar com ele e a mãe quando compôs a música “Como vai você” – me emocionar com cada frase da dona Eunice, mãe dele, que falava em um idioma chamado poesia.

Com o Canelinha, o dono de um parquinho que ficava em frente de casa e onde eu participava todos domingos do show de cantores, ainda bem menina, descobri o que era um amor capaz de fazer abandonar tudo e correr atrás dele. Nunca soube se ele teve sucesso nessa investida, mas aí tive uma das minhas primeiras decepções, por essa fuga dele atrás da amada, minha carreira de cantora estava terminada ali. (Ainda bem, deve ter gente agradecida a ele ate hoje).

Tinha uma pracinha em São Miguel onde antes havia um riacho e lá, muitas lavadeiras se ajoelhavam deixando limpinhas as roupas e enquanto faziam isso cantavam e sonhavam que um dia, os filhos delas seriam doutores.

Engraçado como é a vida, hoje exatamente neste mesmo lugar a pracinha se chama Morumbizinho e lá existe a enorme Universidade Cruzeiro do Sul, cujo dono foi meu amigo de infância. E naquele tempo eu não poderia entender como os pensamentos têm poder.

Hoje entendo perfeitamente, aquela energia ficou ali e é esta Universidade que forma muitos doutores agora, quem sabe se não filhos, mas netos de algumas delas.

Com minha amiga, filha de um cônsul espanhol, quando ela e eu ainda éramos garotinhas aprendi a fazer empanadas espanholas.

Meu irmão me ensinou a ser doidinha e colocar os pés no guidão da bicicleta e correr desabalada para nadar nas piscinas do clube Nitro Química e muitas vezes sem medo de ser feliz mergulhar no rio Tietê.

Com minha professora Meire do segundo ano do grupo escolar Carlos Gomes, eu conheci e comecei a apreciar coalhada, quem fazia era a avó do Antônio Marcos, mas ele ainda nem tinha nascido. E como eu era incumbida de levar para ela na hora do lanche essa gostosura, recebia dela sempre um pouquinho em agradecimento e sabe, não tem uma vez que como coalhada que não me lembro dela.

Ah! E foi em um circo que sempre armava lona no terreno do meu pai, que aprendi a dar minhas primeiras piruetas e me equilibrar na corda bamba. Isso me ajuda até hoje, pois em toda vez que vou cair fico firme me lembro das lições, corrijo a postura e vou em frente. Sim é verdade, cai e quebrei a cara muitas vezes, mas foi com esses tombos que aprendi a levantar.

Bem cada um de nós tivemos nossas experiências, cada um de vocês com certeza devem se lembrar de muitas.

Mas ainda agora me lembrei, tinha na TV Tupi (alguém se lembra dela?) um programa onde o locutor encerrava os teatrinhos e dizia assim: “Essa estória saiu por uma porta e entrou por outra e quem quiser que conte outra.”

Contem vocês as suas, eu vou continuar contando as minhas…

Saudades é bom ter quando se tem coisas boas para lembrar, então não dói, só machuca um pouquinho.

 

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