Em um reino muito distante, vivia um Rei que morava em um imenso castelo, onde havia muitos tesouros, rodeado por lindíssimos jardins, e que tinha a seus pés uma imensidão de terras, onde seus súditos, trabalhavam para que mais e mais riquezas se juntasse todas as que ele já havia herdado de seus antecessores.


No castelo sempre havia muitos banquetes e as festas eram constantes, todas regadas com o melhor dos vinhos de suas vinícolas e onde todos sem distinção faziam de tudo para que a vida deste monarca fosse só de felicidade.

Mas havia um grande problema com ele, uma tristeza infinita, lhe tirava qualquer gosto pelas vida e assim sendo ele ia se consumindo cada vez mais num desânimo total, o que deixava todos, tanto da realeza quanto seus vassalos numa grande preocupação.


Até que em um belo dia ele resolveu chamar seus conselheiros para que o ajudassem de alguma forma a encontrar uma solução para seu caso.
Um deles lhe disse que ele deveria enviar seus emissários por todas suas propriedades e que procurassem por lá um homem feliz e que lhe trouxessem sua camisa, explicando assim que com a camisa em mão ele a vestisse porque automaticamente a felicidade daí para frente o contaminaria.


Foram muitos meses até que um dos seus enviados finalmente encontrou em meio ao um matagal, dentro de uma pequena choupana bem pobrezinha, um homem que trabalhava e cantarolava alegremente e chegando junto a ele indagaram se ele era um homem feliz.
Prontamente a resposta confirmou: Ele era muito feliz!


Imediatamente lhe pediram que fosse buscar sua camisa para que ela fosse levada para o Rei.


Mas eis que o homem embaraçado disse que não poderia dar sua camisa porque ele simplesmente não tinha camisa.
Essa história eu ouvi do meu pai quando eu tinha mais ou menos 10 anos e ela nunca me saiu da cabeça embora por conta da minha pouca experiência na época, ela não teve grande sentido para mim.


Hoje depois de tanta água ter rolado, tantas distâncias percorridas, tantas idas e vindas, essa história passou a ter todo um significado, embora eu confesso, preferia permanecer ainda agora, na mesma inocência de antigamente e não ter aprendido tantas coisas que eu hoje querendo ou não fui obrigada a aprender.


Realmente conheci muitas pessoas que levaram a vida só acumulando bens materiais, deixando de investir em si mesma, aproveitando as coisas simples que a vida nos dá e que inadvertidamente a gente cega e surda não ouve, não vê e não percebe.

E assim os dias vão se sucedendo e a gente naquela ânsia de querer conquistar uma casa luxuosa ,um carro sempre mais moderno, uma casa de campo ou um apê numa praia badalada, vamos nos desgastando, trabalhando cada vez mais e assim vamos nos esquecendo de realmente aproveitar as melhores coisas que a vida nos dá e que por acaso são de graça como: curtir a companhia dos nossos familiares, o beijo carinhoso que deixamos de dar aos filhos porque chegamos muito cansados, os passeios a pé que nos devolveria o prazer, hoje em dia tão esquecido de caminhar sem compromisso enfim curtir os momentos de paz a qual todos temos direito.


Antigamente se dizia que fazer isso ou aquilo não dava camisa a ninguém e hoje eu deixo aqui uma pergunta “Precisa mesmo de camisa”?

Veja também