Eu quando tinha 11 anos mudei para o Brás.
Foi lá que depois de ralar no curso de Admissão (pesquise no google, para saber o que é isso) consegui entrar no Instituto Feminino de Educação Padre Anchieta.
Estudei lá até o Curso Normal que me fez ser professora.

Tive dois professores que me marcaram:um foi o Zion feio que dava dó, mas mesmo ,assim foi meu “primeiro príncipe encantado”, por mais que tentasse me ensinar raiz  quadrada, cateto,hipotenusa,equação de segundo grau, nunca aprendi nada disso mas por causa dele descobri o que era amor platônico.Sempre fui péssima com números.

O outro foi o poeta Fernando Soares ,meu professor de Português e como com  letrinhas sempre fui boa, consegui ser uma das preferidas alunas dele.
Na aula de Educação Física,naquele tempo só se safava de ficar suada se exercitando quem estava menstruada.Eu até que podia ser burra mas já era esperta pra caramba, mostrava meu pacote de Modess(google de novo)que tinha sempre na bolsa e pronto ficava liberada da aula.
Enquanto minhas amigas se acabavam nos exercícios eu ia para a Biblioteca e lá me encontrava,com José de Alencar,Shakespeare,Machado e todos os poetas que me ensinaram ser eternamente essa boba que sou.

Bem, os segundos implacáveis no relógio, foram se somando e essa soma hoje eu chamo de passado.
Mas as artes do destino me levaram um dia desses a Itanhaém.

Choveu direto, sorte minha não deu praia. Perambulando pelas calçadas, vejo uma Biblioteca chamada Paulo Bonfim,já bem molhada entrei nela e sei lá como em pouco tempo fui me aquecendo ao folhear todos aqueles livros e por esta biblioteca ter o nome deste poeta, havia fileiras cheias de livros com seus poemas ,mas também de outros tantos e veja só  o que encontrei ,um livro do Fernando Soares.

Ingrata eu, pois dele eu até havia me esquecido,bastou uma chuva em Itanhaém para perceber que ele ainda estava em mim.

Ao ler suas poesias e só  pelo poder que elas tem, de repente encontrei aquela menina danada que fui um dia, que estava escondida  em um cantinho da minha memória e a abracei e esse encontro foi mágico.

Sai de lá seca mas com a alma lavada.

E aí,você que esta comigo nesta leitura me pergunta:
Mas o que tem a ver Anchieta,Brás e Bonfim ?
E eu lhe respondo: NADA!

Mas as somas desses nadas, resultou nesse TUDO que me ser assim…

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