Não tendo asas, mudo cenários e invento não ser eu mesma e assim me conformo em ter que conjugar o verbo ficar.

Sabe, quando dá vontade de sumir e percebemos que há tornozeleiras eletrônicas demais que nos impede de abandonarmos nós mesmas?

E quando precisamos chegar ao vigésimo andar e descobrimos que os elevadores estão em manutenção e justamente as escadas estão sendo reformadas para que elas “ornem”com o estilo modernoso do prédio? Não dá né?

E quando numa urgência,  em ouvir um conselho daquela pessoa especial,  ela resolveu viajar e agora está a quilômetros de distância,  seu  celular está fora de área e na sua pressa descobre que não vai dar para ouvir aquela voz sensata? Bate um certo desespero não é mesmo?

Aprender como dói a saudade de quem achamos que sua partida não nos fracionasse reduzindo-nos a apenas uma  metade, bate fundo na alma, fazer o que ?

Quando se dá conta que por não dar o devido valor a uma oportunidade que poderia mudar nossa vida, não a agarramos

e agora reclamamos que não tivemos sorte ? Faz ou não faz passarmos noites em claro de vez em quando ?

Se eu tivesse apenas uma viola, se o céu da minha cidade não fosse tão poluído e eu então pudesse ver estrelas, se a rua que eu moro fosse minha e eu pudesse ladrilhar a meu gosto, eu tocaria uma música pura  que os ingênuos sabem de cor e salteado e assim,  quem sabe,  eu conseguiria fazer as pazes comigo mesma e finalmente compreenderia e aceitaria o “por quê” eu tenho as asas quebradas…

 

 

 

 

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