Calma não se assustem, esses nomes estão juntos por uma razão que vou explicar. A personagem era míope, daquelas que não conseguem enxergar a um palmo de distância se estivesse sem óculos.

Um dia, no final do seu expediente na diretoria da escola onde trabalhava, já estava de saída. Ao se dirigir até a porta percebeu que por ela entrou uma luz muito forte e parou bem aos pés dela, isso até a assustou, por isso perguntou `as colegas que estavam por perto”: Nossa, vocês viram esta luz?”

Recebeu uma resposta negativa, então sem se ater tanto ao fato, disse tchau e saiu.

Pelo caminho que ela fazia a pé até sua casa começou a perceber que a sua volta as pessoas e as coisas se moviam como se estivessem em câmera lenta. As pessoas com as quais ia cruzando, a fitavam diretamente no olho e o silêncio no entorno era quase ensurdecedor. Por sua vez ela tinha a impressão que estava flutuando. Até o vento ventava de um jeito diferente e assim foi até chegar no começo da sua rua. Lá viu que seu filho estava rapidamente vindo ao seu encontro e notou que ele estava muito pálido.

Ela perguntou o que havia acontecido, ele respondeu: “O papai passou mal”

Ela saiu correndo e no portão encontrou sua filha e nem lhe deu tempo para que  falasse alguma coisa, simplesmente perguntou “O papai teve um AVC?”

Acho que no caminho tinha sido avisada por todos aqueles fatos que ela até então não tinha entendido.

Ele tinha saúde normal e apenas 38 anos.

Do Pronto Socorro ele foi transferido para o Hospital São Paulo.

Ela foi junto e durante o tempo que ele permanecia em coma, ela desolada e chorando andava pelos corredores, esperando os médicos lhe darem o resultado do exame que diria se o acidente seria hemorrágico ou esquêmico.

Ela sabia da gravidade e no seu desespero pediu a Deus que Ele lhe desse um sinal, fosse qual fosse para que ela pudesse saber se ele teria a vida preservada.

O choro copioso a impediu de usar óculos.

Na porta da saída do hospital tinha uma rampa e ela começou a descer e continuava a pedir socorro a Deus.

De repente ela teve o olhar dirigido para uma banca de revista que ficava no final da rua, bem distante de onde ela estava.

Até agora não encontrou explicação de como ela, que não  enxergava nada de longe, conseguiu ver uma capa de um pequeno gibi chamado Chico Bento, um de tantos da autoria de Maurício de Souza, que chegou até ela num close.

Nesta capa tinha a figura daquele ingênuo caipirinha, que mostrava que ele  tinha aos mãos uma enorme corda que amarrou em uma pequena muda de uma árvore, que não tinha naturalmente estrutura para suportar esta corda amarrada com uma tábua que seria um balanço.

Esta imagem foi traduzida para ela, como a esperança desse garoto de que ao crescer ela esticaria a corda com a tábua de assento, o que que permitiria a ele se balançar pra lá e pra cá em um movimento que prometia fazê-lo feliz.

Ela imediatamente compreendeu que esse foi o sinal que Deus lhe enviou sem precisar de um padre, um pastor ou outro representante qualquer Dele.

Após isso voltou para dentro do hospital e lá permaneceu tendo a certeza que ele se salvaria.

Nos primeiros dias ele não se sustentava sentado na cama, ela então pediu mais uma vez que pelo menos ele conseguisse sentar em  uma cadeira de rodas para que, ao sair ela pudesse  levá-lo onde quer que ela fosse.

Um médico lhe disse que de pé ele nunca ficaria. Ela continuou pedindo para que ele ficasse não só de pé, mas que pudesse andar.

Depois de 45 dias os dois saíram juntos caminhando e puderam voltar para casa e retomar a vida.

Hoje ainda e pelo resto da sua vida ela agradece a Deus nas suas conversas com Ele.

Um dia teve vontade de escrever para o Maurício de Souza e lhe contar esta estória. Comovido, ele agradeceu e ainda autografou esta mesma página em tamanho maior, com os dizeres “para o Carlos e Rose um abraço”

Sim, na sua parede da sala em um quadro pendurado, esta figura está lá em destaque, pois  ela fez questão de deixar como troféu e testemunha para mostrar a quem entra esta mensagem de que Deus nos ouve e nos fala das maneiras mais inusitadas basta que a gente consiga traduzir a linguagem Dele.

Por coincidência ,esta estória de hoje é minha e eu peço desculpas por falar de mim ,mas na verdade, ao falar de mim, estou lhes falando de Deus.

Hoje em dia, quando saímos para onde quer que seja, eu dou a mão para meu marido e ele como sempre fez é que me ajuda  caminhar e sei que Deus vai sempre conosco.

E eu ainda posso lhes jurar que não são poucas as vezes que vejo aquele caipirinha ao nosso lado a nos olhar com aquele jeitinho maroto e sorriso sincero que só uma criança pode ter nos mostrar, que a caminhada ainda não chegou ao fim…

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